quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Natal: vive, deixa viver e sê feliz!

MENSAGEM DE NATAL

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação.” (Papa Francisco, Misericordiae Vultus, 1.2)

Natal: nascimento de Jesus.Deus fez-se homem.
Pede-nos somente uma coisa: acolhimento!! Como a mãe acolhe a criança que trouxe no seu ventre.
Mas, como acolher um Deus assim? O tempo do Advento é  tempo de espera. O Natal é a realização daquilo que se esperou: o nascimento de Jesus. O fim do Ano e o ano novo falam-nos do TEMPO, o dia-a-dia. Em que preencho o meu tempo? Quem habita o meu tempo?
A festa do Natal fala-nos de LUZ, de COMUNHÃO. A luz é Jesus. A comunhão é o estilo de vida que ele teve e que nos convida a viver também a nós! Acolher...Jesus que vem, que quer nascer na nossa vida e a quer transformar em vida para outros.
É tempo de olhar para as nossas mãos e perguntar-se; como está crescendo o menino Jesus em mim? Em que é que me pareço com Ele? E aí está um desafio: arregaçar as mangas e praticar com a vida as obras de Misericórdia: ACOLHER JESUS ACOLHENDO O IRMÃO que está ao meu lado!

Votos de um Santo Natal com uma provocação para o novo ano:

VIVE, DEIXA VIVER E SÊ FELIZ!

Um abraço desde Gumuz, Etiópia!

Pe Quim, mccj

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ser Missionário é uma maravilhosa aventura!!

O Papa Francisco terminou há dias a sua primeira visita à África. Sem dúvida, uma visita ousada num continente cheio de contrastes e de pobreza, mas também um continente jovem, cheio de esperança: não esqueçamos  que a maior parte da população africana compreende a faixa etária abaixo dos dezoito anos!
Na habitual audiência das quartas-feiras, no passado dia 2 de Dezembro, o papa fez alusão ao trabalho dos missionários neste continente, trabalh“in loco”. E fez um apelo aos jovens, de todo o mundo, mas especialmente da Europa. Apelo este que eu quero aqui repetir:
o que ele pode ver e testemunhar
“Gostaria de dizer uma palavra sobre os missionários. Homens e mulheres que deixaram a pátria, tudo... Quando eram jovens, partiram para lá, levando uma vida de trabalho muito árduo, e às vezes até dormindo no chão. A uma certa altura, encontrei-me em Bangui com uma religiosa italiana. Via-se que era idosa: «Quantos anos tem?», perguntei-lhe: «81». «Mas não eram muitos, era dois mais mais velha do que eu». Aquela irmã estava lá desde quando tinha 23-24 anos: a vida inteira! E como ela, muitas! Estava com uma criança. Em italiano, a menina dizia: «Avó!». Então, a religiosa disse-me: «Eu não sou daqui, mas do país vizinho, do Congo; e vim de canoa, com esta menina». Os missionários são assim: intrépidos! «E o que a senhora faz, irmã?». «Eu sou enfermeira, também estudei um pouco aqui e tornei-me parteira: fiz nascer 3.280 crianças!». Eis quanto ela me disse. A vida inteira a favor da vida, da vida dos outros. E como esta religiosa, há muitas outras: numerosas irmãs, sacerdotes, religiosos que consomem a própria vida para anunciar Jesus Cristo. É bonito ver isto. É lindo!
Gostaria de dizer uma palavra aos jovens. Mas há poucos, porque parece que na Europa a natalidade é um luxo: natalidade zero, natalidade 1%. Mas dirijo-me aos jovens: pensai no que fazeis da vossa vida. Pensai naquela religiosa e em muitas outras como ela, que deram a vida e tantas morreram lá. A missionariedade não consiste em fazer proselitismo: aquela irmã dizia-me que as mulheres muçulmanas vão ter com elas porque as religiosas são boas enfermeiras que as curam bem, sem fazer catequese alguma para as converter! Dão testemunho; depois, às que quiserem fazem a catequese. Mas o testemunho: nisto consiste a missionariedade, grandiosa e heróica, da Igreja. Anunciar Jesus Cristo com a própria vida! Dirijo-me aos jovens: pensa tu o que queres fazer da tua vida. É o momento de pensar e de pedir ao Senhor que te faça sentir a sua vontade. Mas por favor, não excluas a possibilidade de te tornares missionário, para levar o amor, a humanidade e a fé a outros países. Não para fazer proselitismo: não! Quantos o fazem procuram algo diferente. A fé prega-se em primeiro lugar com o testemunho e depois com a palavra. Lentamente.” Podes encontrar o resto do textoaqui:http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2015/documents/papa-francesco_20151202_udienza-generale.html


Tu, jovem, de que estás à espera?!

sábado, 17 de outubro de 2015

Dia Mundial das Missões 2015



“Bendito seja o Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que no alto do Céu nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo.” (Ef 1,3)




Caros Amigos/as:
Uma saudação especial neste mês missionário, especialmente nesta semana em que nos preparamos para celebrar o Domingo Mundial das Missões (18 de Outubro).
Estou de regresso à Missão de Gilgel Beles, depois de uns meses em Portugal para descansar e recuperar as forças.
O primeiro pensamento é de gratidão por voltar a esta terra, para mim a “Terra prometida” que o Senhor me deu. Por isso agradeço a Deus, com as palavras do grande apóstolo e missionário Paulo, por todas estas bênçãos espirituais que me deu em Cristo. Agradeço a Deus por todas as pessoas que tive a oportunidade de encontrar e que me encorajaram e continuam a encorajar com a sua amizade, oração e partilha solidária.
Tornar à Missão é rever amigos e colaboradores e continuar o trabalho...
Bendito seja Deus porque tanto me abençoa!

 “Graças ao Deus das misericórdias, o meu Vicariato e as suas obras vão bem, segundo o espírito de Jesus Cristo e consegue-se fazer não pouco bem, mas muito, apesar das enormes dificuldades e das cruzes que me vêm de quem, ao invés, deveria originar-me satisfações. Mas as obras de Deus foram sempre assim. Confiado n’Ele, conduzo a minha vida contente ante a perspectiva de morrer por Jesus e pela Nigrícia.”(Daniel Comboni, Escritos 6956)

Estas palavras do nosso fundador são para mim inspiradoras porque o trabalho na missão continua, não sem desafios e por vezes desânimos, mas estas são dores de parto que geram algo de novo e continuamos com confiança porque a missão não é nossa, somos apenas instrumentos nas suas mãos. As dificuldades não nos abatem. Quando me dizem “esperamos que estejas bem, dentro das possibilidades no meio das dificuldades” penso a isto mesmo, e são mais importantes as alegrias que encontramos que o próprio peso das dificuldades!

“Constituamo-nos em «estado permanente de missão»,em todas as regiões da terra.” (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho, 25)

O trabalho na Missão continua. A minha chegada coincidiu com a preparação da festa da paróquia dedicada a Nossa Senhora. Este ano tivémos uma celebração muito especial com a apresentação a toda a comunidade paroquial da imagem de Nossa Senhora de Fátima que trouxe comigo, oferta do Santuário de Fátima. Preparámos um andor e levámos nossa Senhora em procissão! Para além disso celebrámos com solenidade S. Daniel Comboni, apóstolo da África e fundador dos Missionários Combonianos. Tivémos ainda outros dois motivos para celebrar: os 10 anos da inauguração do jardim de Infância da Missão e da consagração da igreja paroquial.

Os cristão acorreram com alegria e entusiasmo. Esta Igreja Jovem continua a crescer e a criar raízes cada vez mais profundas. Este é o estado permanente de Missão que o Papa convida todos nós a viver: deixar-se conquistar por Jesus e depois...ir, sair...ajudar outras a encontrá-Lo!
Para terminar, sublinho algumas frases tiradas da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões que podereis encontrar neste endereço:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/missions/documents/papa-francesco_20150524_giornata-missionaria2015.html

“Neste ano de 2015, o Dia Mundial das Missões tem como pano de fundo o Ano da Vida Consagrada, que serve de estímulo para a sua oração e reflexão.”
“A missão faz parte da «gramática» da fé, é algo de imprescindível para quem se coloca à escuta da voz do Espírito, que sussurra «vem» e «vai».”
“Quem segue Cristo não pode deixar de tornar-se missionário, e sabe que Jesus «caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária» (Exort. ap. Evangelii Gaudium, 266).”


“A missão é uma paixão por Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, uma paixão pelas pessoas. Quando nos detemos em oração diante de Jesus crucificado, reconhecemos a grandeza do seu amor, que nos dignifica e sustenta e, simultaneamente, apercebemo-nos de que aquele amor, saído do seu coração trespassado, estende-se a todo o povo de Deus e à humanidade inteira; e, precisamente deste modo, sentimos também que Ele quer servir-Se de nós para chegar cada vez mais perto do seu povo amado (cf. Ibid., 268) e de todos aqueles que O procuram de coração sincero.”
“Todos são chamados a anunciar o Evangelho pelo testemunho da vida; e, de forma especial aos consagrados, é pedido para ouvirem a voz do Espírito que os chama a partir para as grandes periferias da missão, entre os povos onde ainda não chegou o Evangelho.”
“É urgente repropor o ideal da missão com o seu centro em Jesus Cristo e a sua exigência na doação total de si mesmo ao anúncio do Evangelho.”
“Hoje, a missão enfrenta o desafio de respeitar a necessidade que todos os povos têm de recomeçar das próprias raízes e salvaguardar os valores das respectivas culturas.”
“«Quem são os destinatários privilegiados do anúncio evangélico?» A resposta é clara; encontramo-la no próprio Evangelho: os pobres, os humildes e os doentes, aqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, aqueles que não te podem retribuir (cf. Lc 14, 13-14).”
“A paixão do missionário é o Evangelho.”


“O Evangelho é fonte de alegria, liberdade e salvação para cada homem. Ciente deste dom, a Igreja não se cansa de anunciar, incessantemente, a todos «O que existia desde o princípio, O que ouvimos, O que vimos com os nossos olhos» (1 Jo 1, 1).”
“A missão dos servidores da Palavra – bispos, sacerdotes, religiosos e leigos – é colocar a todos, sem excluir ninguém, em relação pessoal com Cristo.”

Boa Missão, meu irmão, minha irmã!!
Com amizade,

Quim, mccj

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mês Missionário: Santa Teresinha do Menino Jesus, Padroeira das Missões

“Compreendi que a Igreja tinha um corpo, composto de diferentes membros, não lhe faltava o membro mais nobre e mais necessário. Compreendi que a Igreja tinha um coração, e que este coração ardia de amor. Compreendi que só o amor fazia os membros da Igreja agirem, que se o amor viesse a se apagar, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue...”
Santa Teresinha do Menino Jesus

1 de Outubro: começa hoje o mês de Outubro, especialmente dedicado à Missão. A Igreja apresenta-nos a figura de S. Teresinha do Menino Jesus, a grande issionária do Amor, longe das terras da Missão. E, contudo, é a padroeira das Missões.
Santa Teresa do Menino Jesus foi proclamada padroeira principal de todos os missionários e de todas as missões existentes, com São Francisco Xavier, a 14 de Dezembro de 1927, pelo Papa Pio XI.
A padroeira das missões lembra-nos o valor dos “pequenos nadas” e demonstra-nos os benefícios de aceitarmos os nossos limites e assumir a nossa pequenez, sem nos envergonharmos da nossa humanidade. A sua vida retrata a grandiosidade do seu amor a Deus através da simplicidade.
A grande missão de Santa Teresinha é conduzir as pessoas até Deus, dando-lhes a conhecer o seu amor incondicional e fazê-las sentir o quanto são amadas por Ele e, desse modo, reunir com o coração o maior número de filhos junto do Pai.

O conceito de missão é assim ampliado, levando-nos a compreender que, pela oração, também nos podemos tornar missionários. A oração permite-nos uma comunicação mais próxima com Deus, transmite-nos força e esperança e alerta-nos para a presença de Deus nos acontecimentos da nossa vida. É, no fundo, o sustento da acção missionária.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014


“A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria.” (Papa Francisco, A Alegria do Evangelho,1).


Caríssimos Amig@s:
Uma saudação especial neste tempo de Natal, tempo propício para encontrar Jesus e deixar-se encontrar por Ele!
SANTO NATAL!! Bom Ano Novo!
Aqui pela missão entre o povo Gumuz a vida continua com alegria! Não temos frio,estamos em plena estação seca, por isso calor!! O Natal, porque seguimos um calendário diferente, celebraremos daqui a duas semanas. Continua a ser urgente que Jesus nasça nesta terra e por isso cada dia tentamos dar o nosso melhor para o fazer chegar ate à última aldeia que ainda não ouviu falar Dele!
Aproveito para agradecer a todos vós a vossa colaboração com a missão, em muitas maneiras: com a amizade, a oração e a ajuda material! Que o menino Deus a todos vos recompense!

Abraço a cada um de vós desde terra da Etiópia e continuamos unidos!!

Vosso,

Quim, mccj.

sábado, 15 de novembro de 2014

Há muito tempo que estou em "silêncio" neste Hoje porém tenho que romper este silêncio, coisa que queria fazer há algum tempo...O motivo? Encontrei o testemunho deste “rapaz”, um irmão no sacerdócio que me fez literalmente ficar em “pele de galinha”. A carta diz muito, mas muito mais se pode encontrar na net acerrca deste alegre servidor do Evangelho! Obrigado ao Deus da vida por este testemunho!


Fabrizio nasceu em Nápoles (Itália), no dia 8 de setembro de 1982. Quase 3 mil pessoas se reuniram no bairro de Ponticelli para lhe dar adeus na igreja de Nossa Senhora das Neves, onde ele era vigário. Padre Fabrizio viveu um grande sofrimento nos últimos meses, mas com fé e força interior. Sempre sorrindo, com uma palavra de consolo para os amigos e familiares que estiveram com ele até o último momento. Oferecemos a seguir a carta que ele enviou ao Papa Francisco.

A Sua Santidade o Papa Francisco:

Santo Padre,

nas orações diárias que dirijo a Deus, não deixo de rezar pelo senhor e pelo ministério que Deus lhe confiou, para que Ele possa lhe dar forças e alegria para continuar anunciando a boa nova do Evangelho.

Eu me chamo Fabrizio De Michino e sou um jovem padre da diocese de Nápoles. Tenho 31 anos e há cinco sou sacerdote. Desempenho meu serviço no Seminário Arcebispal de Nápoles como professor de um grupo de diáconos, e em uma paróquia em Ponticelli, que se encontra na periferia de Nápoles. A paróquia, recordando o milagre registrado na colina Esquilino, recebe o nome de Nossa Senhora das Neves.

Ponticelli é um bairro degradado por sua pobreza e alta criminalidade, mas a cada dia descubro verdadeiramente a beleza de ver o que o Senhor realiza nestas pessoas que confiam em Deus e na Virgem.

Também eu, desde que estou nesta paróquia, pude ampliar cada vez mais meu amor pela Mãe Celeste, experimentando também nas dificuldades a sua proximidade e proteção. Infelizmente, há três anos eu luto contra uma doença rara: um tumor no interior do coração. Há um mês estou com metástase no fígado e no baço. Nesses anos difíceis, no entanto, nunca perdi a alegria de ser anunciador do Evangelho. Também no cansaço eu percebo, verdadeiramente, esta força que não vem de mim, mas de Deus, que me permite desempenhar com simplicidade o meu ministério. Há uma citação bíblica que tem me acompanhado e me enche de confiança na força do Senhor: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).

Neste tempo tem sido muito próxima a presença do meu bispo, o cardeal Crescenzio Sepe, que me apoia constantemente, ainda que às vezes me peça para descansar, para que eu não me sobrecarregue.

Agradeço a Deus também por meus familiares e meus amigos sacerdotes que me ajudam e apoiam, sobretudo quando faço as diferentes terapias, compartilhando comigo os momentos de inevitável sofrimento. Também os meus médicos me apoiam muito e fazem o impossível para encontrar os tratamentos adequados para mim.

Santo Padre,

estou me alongando muito, mas só quero dizer que ofereço a Deus tudo isso, pelo bem da Igreja e pelo senhor de um modo especial, para que Deus o abençoe sempre e o acompanhe neste ministério de serviço e amor.

Eu lhe rogo que reze por mim: o que peço todos os dias ao Senhor é que seja feita a Sua vontade, sempre e em todas as partes. Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração.

Seguro de suas orações paternas, o saúdo devotamente.

Padre Fabrizio De Michino


fonte: Aleteia  

terça-feira, 19 de março de 2013

S. José, o protector


19 de Março. Para tantos celebra-se hoje o Dia do Pai. Na Igreja Católica celebra-se hoje S. José. E é esta a origem da celebração do dia do Pai, ainda que hoje seja muito ofuscada pela publicidade que não pretende mais nada que convidar ao consumo...S. José foi o protector de Maria, de Jesus, o escolhido para proteger e acompanhar o crescimento do jovem de Nazaré!
Dia para para e pensar um pouco naqqueles que Deus pôs ao nosso lado para nos proteger...e agradecer pelo grande dom de ter um pai!
Para o nosso Instituto é também dia grande: S. José é o padroeiro principal do nosso Instituto. Comboni quis que os seus missionários e a sua missão estivesse sob a protecção de tão grande advogado.
Da figura de S. José aprendemos tanto em trabalhar, em amar, em servir sem aparecer na “fotografia”: serviço escondido que dá tanto fruto!
O novo Papa que iniciou hoje o seu pontificado dizia hoje que o poder é serviço! Foi este o ensinamento de Jesus: lavou os pés aos seus discípulos, “como eu fiz, fazei vós também”.
Aqui fica o desafio: em tudo amar e servir, seguindo o rande exemplo de fé que é S. José!

sexta-feira, 15 de março de 2013

15 Março


15 Março. Em 1831 na pequena aldeia de Limone Sul Garda nascia o grande missionário Daniel Comboni. Nos nossos dias aclamámo-lo como Santo. Sim, ele é Santo, santo no seu viver inteiramente para a Regenação da África e dos pobres africanos. Santo porque se enamorou do Deus da VIDA que em Jesus Cristo deu a vida pela salvação de toda a humanidade e viveu inteiramente para Deus e para os mais esquecidos. Santo porque ainda hoje muitos: missionários: padres e irmãos, missionárias e leigos partilham o carisma deste grande homem e se dedicam ao anúncio do Deus da VIDA onde falta a esperança, onde faltam as condições mínimas para  uma vida digna. Entre eles estou eu, missionário Comboniano a trabalhar entre os Gumuz na Etiópia. Hoje, uma vez mais sinto-me confirmado na minha vocação e ponho o nosso trabalho missionário sob a protecção de S. Daniel Comboni.
O nosso entusiasmo foi sem dúvida renovado nos acontecimentos destes dias: a eeleção do novo paap: papa Francisco. Francisco, o homem que na sua simplicidade disse e continua a dizer tanto aos homens de tantas gerações! Somos todos convidados s pormo-nos a caminho, a não desanimar com os nossos fracassos e a testemunhar com a nossa Vida o Deus da VIDA em quem acreditamos!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

ANO DA FÉ: Algumas “provocações”


10 ideias para viver o Ano da Fé

O bispo David Ricken, de Gren Bay, Wisconsin, presidente da Comissão para a Evangelização e Catequese da Conferência Episcopal dos EUA, apresenta "10 ideias para viver o Ano da Fé". Baseadas nas orientações da Congregação para a Doutrina da Fé, algumas dessas sugestões são já deveres dos católicos; outras podem ser vividas em qualquer altura, especialmente durante o Ano da Fé.

1. Ir à Missa

O Ano da Fé pretende promover o encontro com Jesus.
Isso acontece mais imediatamente na Eucaristia. Ir à missa com frequência consolida a fé pessoal através das Escrituras, do Credo, de outras orações, da música sagrada, da homilia, recebendo a Comunhão, e fazendo parte de uma comunidade de fé.


2. Ir à Confissão

Tal como pela Missa, os católicos encontram força e aprofundam a fé
pela participação no Sacramento da Penitência e Reconciliação.
A Confissão alenta as pessoas a regressarem a Deus, a expressarem arrependimento
por terem caído e a abrirem as suas vidas para o poder curativo da graça de Deus.
Perdoa as faltas do passado e dá força para o futuro.


3. Conhecer as vidas dos santos

Os santos são exemplos intemporais de como se vive uma vida cristã, e dão-nos uma grande esperança.
Eles foram pecadores que persistiram em estar mais perto de Deus,
e além disso apontaram caminhos por onde podemos servir a Deus:
no ensino, no trabalho missionário, na caridade, na oração, ou simplesmente
procurando agradar a Deus nas acções e decisões correntes da vida diária
.

4. Ler a Sagrada Escritura diariamente

A Escritura permite um acesso em primeira mão à Palavra de Deus
e conta a história da salvação humana.
Os católicos podem rezar as Escrituras (pela lectio divina ou por outros métodos)
para ficar mais em sintonia com a Palavra de Deus.
Em qualquer caso, a Bíblia é uma necessidade para crescer no Ano da Fé.


5. Ler os documentos do Vaticano II

O Concílio Vaticano II (1962-1965) marcou o início de uma grande renovação da Igreja.
Teve impacto na forma de celebrar a Missa, no papel dos leigos, na compreensão que a Igreja tem de si mesma e das suas relações com outros Cristãos e com não-Cristãos.
Para continuar essa renovação, os católicos precisam de entender o que é que o Concílio ensinou e como é que isso beneficia a vida dos crentes.


6. Estudar o Catecismo

Publicado exactamente 30 anos depois do começo do Concílio, o Catecismo da Igreja Católica abrange as crenças, os ensinamentos morais, a oração e os sacramentos da Igreja Católica num só volume.
É um recurso para crescer na compreensão da fé.


7. Ser voluntário na paróquia

O Ano da Fé não pode ser só estudo e reflexão.
A base sólida das Escrituras, do Concílio e doCatecismo deve ser traduzida para a acção. 
A paróquia é um bom lugar para começar, e os talentos de cada um ajudam a construir a comunidade. 
As pessoas serão bemvindas para tarefas de acolhimento, música litúrgica, leitores, catequistas e outros serviços na vida da paróquia.


8. Ajudar quem precisa

O Vaticano convida os católicos a dar esmola e tempo para ajudar os pobres durante o Ano da Fé.
Isto significa encontrar pessoalmente Cristo nos pobres, marginalizados e nos mais vulneráveis.
Ajudar os outros põe os católicos olhos nos olhos diante de Cristo e é exemplo para o mundo.
 

9. Convidar um amigo para a Missa

O Ano da Fé pode ser global na finalidade, focando na renovação da fé e na evangelização de toda a Igreja, mas a verdadeira mudança acontece ao nível local.
Um convite pessoal pode fazer a diferença para alguém que se afastou da fé ou que se sente excluído da Igreja.
Todos nós conhecemos pessoas assim, por isso todos nós podemos fazer um convite amável.


10. Viver as bem-aventuranças na vida diária

As bem-aventuranças (Mateus 5, 3-12) são um óptimo modelo para a vida cristã.
A sua sabedoria pode ajudar todos a ser mais humildes, pacientes, justos, transparentes, amáveis, inclinados ao perdão e livres. 
É precisamente o exemplo de fé vivida necessário para atrair pessoas para a Igreja durante este ano.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


Arrisca a partir...

Addis Abeba, 3 Fevereiro 2013

DEKA! (Olá!em Gumuz)
Amig@s, partilho convosco um pouco do que me vai no coração neste momento de partir e de chegar novamente à missão!

“E amanhã, quando o sonho acordar,
Agarra a vida, tens um Dom a partilhar!
Olhos nos olhos, e o céu entrou em ti
Vive a alegria, arrisca, arrisca a partir!”

Este é o refrão de uma canção da autoria do pe Leonel Claro cantada pela Banda Missio. Cantaram-na , ou melhor, cantamos todos juntos no inesquecível concerto de despedida em Jesufrei no Domingo passado. Estas palavras ecoaram no meu pensamento e no meu coração desde Jesufrei até à Etiópia.
A cada passo no aeroporto, no avião, as lágrimas corriam pelo meu rosto, tantos rostos, sorrisos, abraços...tantas palavras no coração: é a alegria de arriscar a partir novamente em direcção à terra Gumuz. Alguém muito especial me dizia “vai ser difícil”, e de facto foi difícil! Mas a alegria de partir é muito mais forte que a tristeza que sentimos pela separação física de quem mais amamos e que nos são mais queridos!
Para trás ficaram 3 meses de partilha, de animação em tantos lugares, de contactos com tanta gente: gente bonita que me ensinou tanto...3 meses em que senti quanto são verdadeiras as palavras de Jesus “quem deixa tudo por minha causa receberá cem vezes mais”. Tive a oportunidade de contctar com tanta gente, de receber tanto carinho e amor de tantos amigos, companheiros de viagem nesta aventura que é a vida cristã.

Agarra a vida, tens um Dom a partilhar!
A vida é um dom a receber, a agarrar, e quem agarra não quer perder, ou seja quer viver intensamente: temos uma razão para viver sem perder tempo, sem perder oportunidade Temos que agarrar a vida nas nossas mãos!
Temos um DOM a partilhar, todos, “não há ninguém tão pobre que não tenha nada para dar nem ninguém tão rico que não tenha nada para receber”.

Olhos nos olhos
Porque a vida e o amor são algo muito concreto que passa pela relação interpessoal, pelo acolher o outro e amá-lo. O outro que está ao meu lado e o Outro, Jesus Cristo, Deus, sempre presente. Encontrar é olhar olhos nos olhos  porque os olhos são o espelho da alma...

E o céu entrou em ti...
O céu entar em ti quando te abres para que Deus entre e te transforme!

Vive a alegria,
Quem encontra Cristo abre-se ao amor e só pode experimentar alegria, a alegria de se doar porque  dar é bom, mas dar-se é melhor! E Deus ama quem dá com alegria! A alegria é a marca de Deus na nossa vida.

Arrisca, arrisca a partir!
Porque o céu está em mim, porque vivo  a alegria de ser missionário ao estilo de Comboni, volto para a Etiópia, arrisco a partir porque levo o coração cheio da amizade, da força e do carinho de cada um de vós, mas sobretudo cheio da força do Evangelho que quero continuar a partilhar com o povo Gumuz. Levo mais alguns “quilitos”, mas a certeza que atrás de mim há um “exército” de gente de boa vontade que me apoia! Obrigado a cada um de vós por todos estes “mimos”!!
Hoje, Domingo, descansei até mais tarde, depois celebrei a missa na pequena capela da nossa casa provincial em Addis Abeba. Celebrei a missa sózinho. Comigo porém estava uma multidão de gente: cada um de vós, que recordei com alegria e com saudade.
Para terminar, uma palavra: LAÇIMISA que quer dizer OBRIGADO em língua gumuz. Obrigado a todos e a cada um de vós!
Obrigado pela vossa partilha com a missão em amizade, interesse e dinheiro!
 Deus a todos vos abençoe!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

SER REFLEXO GUMUZ

Amig@s:

Uma provocação para se deixar tocar pela missão: um programa missionário para celebrar a minha despedida..estou novamente de partida para a Missão!!
 “Ser reflexo Gumuz” é o projecto de solidariedade com o povo Gumuz (com o qual estou a trabalhar na Etiópia) que o grupo de jovens da minha paróquia abraçou.

Apareçam!!! Contamos com a vossa presença!!!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

PÁSCOA É VIDA!


Na caminhada cristã uma vez mais nos encontramos a celebrar o tempo pascal.
Partilho convosco um pouco do que vivemos aqui em Gilgel Beles durante o tríduo pascal. Tivémos aqui na Missão jovens oriundos das diferentes comunidades cristãs e aldeias que fazem parte do território da paróquia. Ao todo eram uns 150, 27 dos quais eram catecúmenos que receberam o Baptismo e fizeram a primeira comunhão na Vigília Pascal.
Foram dias vividos com muita intensidade, com muito trabalho e cansaço à mistura, mas com muita alegria e entusiasmo.
VIDA foi a palavra dominante nestes dias: a Ressurreição de Jesus é Vida que nos permite de começar, ou de recomeçar uma vez mais a nossa caminhada de configuração a Jesus de Nazaré que Deua a sua vida na Cruz por todos nós e quis ficar sempre connosco  nos sacramentos que nos dão energia nova todos os dias.
VIDA foi a palavra que mais repeti nas reflexões dos momentos de oração comunitária e de reconciliação pessoal. Antes de mais a VIDA é DOM gratuito de Deus. Porém na  cultura Gumuz encontramos muitos sinais de “não-vida” e de morte concreta. Nas semanas que anteceram a Páscoa fomos aterrorizados com a morte de uma rapariga, uma das nossas catecúmenas, enforcada numa árvore. Tivémos notícia de uma outra, sempre da mesma aldeia, que tentou enforcar-se: esteve dependurada numa árvore umas quatro horas, mas conseguiram salvá-la.
A primeira pergunta que nos fazemos é: porquê? Ao fazermos esta pergunta sabemos também que na região Benishangul Gumuz, Mandura (o concelho a que pertencemos) é o que apresenta a taxa de suicídios mais elevada. Estas duas raparigas são jovens: 16-17 anos no máximo. Mas voltemos ao porquê. A razão é esta: os pais e os irmãos obrigaram-na a casar-se com um rapaz pelo qual elas não sentiam nenhum interesse, não queriam casar-se. Foram obrigadas a fazê-lo e o resultado é o que sabemos...
Estas duas raparigas são apenas dois exemplos, poderia mencionar tantos que acontecem muito frequentemente entre nós. O casamento forçado é a causa principal destes acontecimentos. A geração jovem é vítima de uma sociedade que resiste muito à mudança de costumes, a um tentativo de “humanizar” um pouco certas normas sociais que continuam a escravizar. Estas mortes são expressão de desespero...
Mas há sinais de Vida: posso falar-vos de outro caso de uma rapariga corajosa, uma cristã que foi dada em matrimónio a um muçulmano que a queria obrigar a professar a fé islâmica. Ela recusou e fugiu para a aldeia dos seus pais. A sorte desta raapariga é que tem o paoio da mãe na sua decisão. Se assim não fosse, poderia ser muito diferente. Do catequita ouvi que ela teria dito que pensou ao suicídio como solução, mas prevaleceu a convicção da rapariga de que tem muitas qualidades e o suicídio não resolveria nada, traria ainda mais sofrimento a todos.
 Este é um testemunho de uma jovem que me diz que VALE A PENA LUTAR SEMPRE PELA VIDA! É a história de Páscoa que nos ensina que o Evangelho tranforma a vida daquele que se abre à sua força libertadora.
BOA PÁSCOA!

sábado, 31 de março de 2012

ERAM MAIS OU MENOS AS QUATRO DA TARDE...


“No dia seguinte, João estava lá de novo, com dois
discípulos.  36 Vendo Jesus que passava, apontou: «Eis o
Cordeiro de Deus». Ouvindo estas palavras, os dois
discípulos seguiram Jesus.   Jesus virou-Se e, vendo que
O seguiam, perguntou: «Que procurais?» Eles disseram: «Rabi
(que quer dizer Mestre), onde moras?»   Jesus respondeu:
«Vinde ver». Então eles foram e viram onde Jesus morava. E
começaram a viver com Ele naquele mesmo dia. Eram mais ou
menos quatro horas da tarde”.(João 1, 35-39)

Neste excerto do Evangelho de João encontramos um episódio autobiográfico de João: a hora certa em que se encontrou com o Mestre, aquele que transformou completamente a sua vida, ou melhor deu um sentido à sua vida. De facto foi taão forte a intensidade deste encontro que Jão se lembra inclusivammente da hora.
Pregunto-me tantas vezes porque e que este detalhe é tão importante para o Evangelista. A resposta para mim é esta: João tem a capacidade de ver neste momento a mão de Deus e e por isso que o recorda. E lembra-nos quanto é importante descobrir nos acontecimentos de cada dia a presença deste Deus que e AMOR e que vela continuamente sobre mim, sobre ti..
Porquê este discurso? 31 de Março é para mim um dia memorável, sinto-o como o meu momento, as minhas “quatro da tarde”. Foi de facto no dia 31 de Março de 1990 que eu, no meu coração, decidi dedicar a minha vida ao Senhor na vida missionária. E neste dia começou a aventura de descoberta: será mesmo esta vida a que o Senhor me chama? Tudo começou nesse dia. Era um sábado, como este ano. Os Combonianos passaram pelAa minha paróquia numa semana de Animação Missionária.
Hoje, 22 anos depois posso dizer que sinto esse momento como hoje e não me arrependo da minha escolha! Afinal, Deus ama quem dá com alegria!

terça-feira, 26 de julho de 2011

JÁ SOU PADRE!!


Hoje, 26 de Julho é o aniversário da minha ordenação sacerdotal. Já lá vão 8 anos! A frase desse dia foi “já sou padre”. Era um dos cânticos da Eucaristia desse momento tão forte para a minha vida. Hoje recordo com especial intensidade o pe João e o pe Jorge que comigo foram ordenados nesse dia! É de facto uma grande graça recebida ser padre missionário comboniano.
Quanta gente o Senhor põe no nosso caminho!...a minha oração hoje é por toda essa gente que faz parte da minha vida: que foi sinal de Deus na minha vida, mas que hoje continua ainda a desafiar-me para se pão partido para a vida de muitos!

Louvado sejas meu senhor pelo dom da vocação!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Felicidade em tempos de crise


 Partilho convosco esta entrevista que encontrei na Agencia Ecclesia. Ajuda-nos sem dúvida a ser positivos...
A felicidade pode ser uma opção e uma pedagogia, mesmo em tempo de crise. Quem o explica é Helena Marujo, psicóloga e especialista em psicologia positiva.

A felicidade pode ser uma opção e uma pedagogia, mesmo em tempo de crise. Quem o explica é Helena Marujo, psicóloga e especialista em psicologia positiva, que sugere formas de caminhar para a felicidade e deixa dicas para tornar os dias mais positivos.
Agência ECCLESIA (AE) - Os portugueses são um povo triste?
Helena Marujo (HM) - Na área do bem-estar e otimismo têm surgido estudos e investigações, desenvolvidos nomeadamente por estrangeiros, que indicam que os portugueses, quando questionados, por exemplo, no final de cada ano sobre as suas expectativas para o ano seguinte, tendem, de uma maneira geral, a mostrar que se sentem pouco otimistas em relação ao futuro.
Por outro lado, estudos de bem-estar, feitos pela New Economic Foundation, em Inglaterra, ou resultados do World Database of Happiness, apontam que os níveis de bem-estar autoavaliados pelos portugueses estão mais baixos que as médias e tendem até a estar mais baixos que países em que as condições materiais, de vida, até de paz ou de guerra, são piores que as nossas. Há qualquer coisa na nossa cultura que espera o pior, algo que não permite ter visões entusiasmadas e esperançadas no futuro.

AE - Esta visão impede o encontro com um caminho de felicidade?
HM - Claro que não. Um estudo da New Economic Foundation mostra que nos indicadores de bem-estar subjetivo e individual, os portugueses se avaliam dizendo que estão pouco satisfeitos com a vida; quando questionados acerca da qualidade das suas relações sociais, os valores disparam e saltamos para um honroso lugar nos países da Europa. Há sinais que mostram uma satisfação com as relações, com a forma como somos e vivemos. Através das relações sociais podemos potenciar algumas tendências nossas.
Há um estudo feito em Portugal, pelo professor Miguel Pereira Lopes, no contexto empresarial, sobre o otimismo e o pessimismo, que revela um dado interessante – somos um pouco paradoxais, simultaneamente otimistas e pessimistas. Ainda que a ciência diga que é possível ser as duas coisas - não é um contínuo, os portugueses têm mais paradoxos. Isto pode ser positivo se agarrarmos o que nos faz ser otimistas, quais são as nossas áreas de bem-estar.
Penso, por exemplo, na capacidade de criar partindo da consciência do que fazemos melhor, do que funciona na nossa sociedade. Somos ótimos nas relações familiares, continuamos a dar uma grande importância às amizades, à presença da família – e podemos ir buscar, a essas forças coletivas, algo que nos faça compensar o lado menos confiante no futuro.

AE - Fala em diversas entrevistas e nas conferências em que participa que a sociedade se encontra num ponto de viragem. Que circunstâncias vivemos para indicar este ponto de viragem?
HM - Estamos num momento fantástico e, ainda que tantas vozes digam constantemente que estamos em crise profunda, seja económica, social ou política, considero que estamos a caminhar para uma sociedade que busca mais o sentido da vida, que quer refletir nas suas escolhas e está a perceber que as visões de competitividade, consumo e individualismo que marcaram as últimas décadas, deixaram de fazer sentido e não nos levaram para um caminho que nos orgulhe.

Está a aparecer nas ciências sociais e humanas a preocupação em investigar o que leva as pessoas a estar na sua excelência, que procuram outras formas de ser sociedade, investir no voluntariado, criar mais espaços de cooperação.

Há sinais muito interessantes e, noto isso não apenas no trabalho na Universidade (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa, ndr.) com os alunos que são para mim um barómetro importante, há uma sede imensa de parar para pensar, reavivar os valores que de facto fazem sentido, deixar uma visão passiva, de consumidor de coisas com efeitos transitórios nos níveis de bem-estar, para voltar ao essencial.

E as relações humanas são essenciais. Viver uma vida com propósito, comprometida, virada para o bem comum, é o caminho que estamos a descobrir.

AE - Portanto, é possível falar de felicidade num momento social e económico que Portugal está a atravessar? Este é um tempo de oportunidades?
HM - Eu penso que sim, precisamente por estarmos num momento difícil, temos que nos reencontrar.

É nos momentos menos bons, no confronto com alguns becos resultantes de escolhas que enquanto humanidade fomos fazendo, em questões tão profundas e fortes como as injustiças sociais que, quando paramos para definir o que queremos, percebemos que não estamos mais felizes, apesar de muito mais ricos e estamos mais sozinhos. Precisamos voltar a apostar no valor coletivo, no que nos une, no amor, na criatividade, na generosidade, na gratidão. Penso que isto está a surgir e é precisamente pelo confronto com as crises que vamos mais longe.
Há uma área de estudo que me apaixona na psicologia positiva, que é o crescimento pós traumático, que se revela na saúde, na área económica ou perante catástrofes naturais e é espantoso perceber que as pessoas que passaram por situações difíceis conseguiram crescer, ou consideraram estar melhor enquanto seres humanos. O que encontramos é uma resposta muito positiva. Pedimos por vezes aos alunos na Universidade que escrevam sobre a altura em que melhor estiveram na sua vida, em que sentiram mais orgulho em ser quem são, e frequentemente, as respostas que temos ligam-se a alturas difíceis da vida. Isto é generalizável.
Nos momentos mais difíceis descobrimos que temos forças extraordinárias, virtudes de caráter que nem sonhávamos, capacidade para pensar e fazer de outra maneira. Penso que este é o ponto de viragem em que nos encontramos e, por isso, está tudo em aberto.

AE - O caminho de felicidade treina-se, há uma pedagogia?
HM - Nas últimas décadas os cientistas começaram a interessar-se por isto e têm estudado algumas práticas de vida.
Perceber o efeito que tem viver emoções positivas, a dieta emocional, ou seja, escolher diariamente a alegria, o aprender coisas novas, a expressão do amor e gratidão, do sentido de humor.
Existe uma linha de investigação, com impacto mundial, conduzido por Barbara Fredrickson que, em contexto laboratorial, tem mostrado claramente que, quando nos sentimos bem e a viver emoções positivas, vivemos em média mais 10 anos do que as pessoas que se abatem e se frustram pela mais pequena coisa ou deixam a raiva crescer perante o desânimo. Ao mesmo tempo que se valida o sofrimento - não se faz de conta que ele não existe - precisamos de sobre compensar para sermos capazes de avançar como pessoas.
A dieta emocional, o cuidar de coisas que nos fazem sentir bem, particularmente em momentos difíceis, ser capaz de acreditar em alternativas, procurá-las, cuidar do que o faz sentir bem no dia a dia, ser capaz de desenvolver e apostar nas emoções positivas diárias, são pedagogias.
Outra é investir na nossa capacidade de focar o que funciona na nossa vida e na nossa sociedade. Fomos ensinados, até pela sobrevivência da espécie, a estar mais sensível ao mal do que ao bem. Tem, obviamente, uma função adaptativa importante mas se, ao mesmo tempo, não notarmos no que há de funcional, saudável, de belo e bom à nossa volta, é provável que nos deprimamos, deixemos de acreditar na vida, sem vontade de levantar de manhã.
Precisamos de treinar a nossa capacidade de ver que nas circunstâncias difíceis, há coisas boas. Há seres humanos que conseguem, perante vidas dificílimas ser constantemente inspiradores de confiança no futuro, de entusiasmo e desdramatização. O ser humano inspira-se mutuamente, por isso precisa de mais modelos e holofotes sobre modelos e pessoas nas nossas comunidades que fazem diferença, porque guiam o nosso olhar e a nossa vontade de sermos melhores pessoas. Sublinhar histórias de pessoas boas e de bem, de produtos e serviços positivos que nos rodeiam, ajuda-nos a continuar a acreditar, a confiar e a ter esperança.

AE - A positividade é uma opção?
HM - Creio que sim. Alguns estudos em Inglaterra e nos Estados Unidos da América vão nessa linha e querem perceber se a felicidade ou o otimismo são coisas genéticas, das quais é difícil fugir, ou se são os acontecimentos de vida que determinam a forma como nos sentimos. Alguns indicadores apontam resultados surpreendentes.
Por exemplo: alguns dados indicam que cerca de 50% da nossa felicidade é influenciada por tendências genéticas. Mas apenas 10% do que nos acontece parece interferir com a satisfação global da nossa vida. Quer dizer que temos 40% de escolha, de opção sobre que limonada fazer com os limões azedos que a vida me dá. Há muitas pessoas que fazem limonadas extraordinárias e conseguem encontrar formas de superação.
Existem no mundo tantos exemplos, às vezes dentro das nossas casas e não reparamos neles. Portanto, precisamos conhecer-nos melhor no nosso melhor, na nossa excelência. O fantástico do meu trabalho é perceber isso. Quando perguntamos a uma criança pobre que tem o pai preso por tráfico de droga, ela consegue dizer o que a orgulha mais na sua família.
Encontramos um potencial de trabalho bastante grande. É necessário tomar consciência das virtudes delas e fazê-las render. Isso é outra pedagogia da felicidade.

AE - Os cristãos são pessoas tristes?
HM - Obviamente que temos um modelo do sofrimento e da morte de Cristo. A cruz está em todas as nossas igrejas e em muitas das nossas casas para nos lembrar e fazer acordar para a ideia de que o sofrimento faz parte da experiência humana. Mas temos a leitura de ressurreição e a possibilidade de perspetivar a vida humana numa visão constante de renovação e restauração a cada momento.
Vivi nos EUA e numa igreja católica que conheci e frequentei, uma coisa que me impressionou, contrariamente à minha experiência num país latino, não havia imagens da morte e da crucificação, apenas da ressurreição. Os espaços da celebração eucarística eram de grande alegria. Há muitas formas de viver o cristianismo e eu conheço muitos cristãos que são fonte de alegria permanente e, por ser cristãos, se agarram e usam a sua crença religiosa como um permanente motor para dar, por onde passam, um sinal de vida e não de morte.

AE - O sofrimento pode ser uma pedagogia para a felicidade?
HM - Para algumas pessoas, as experiências de sofrimento podem ter sido momentos de viragem, mas não precisamos passar pelo sofrimento para ser felizes. Não precisamos que algo terrível aconteça para finalmente pensarmos na nossa existência, decidir o que é essencial ou refazer o dia a dia e as escolhas.
No cruzamento que faço entre a ciência e a psicologia positiva, que partilho nas conferências e palestras, é que não precisamos do sofrimento para ser felizes. Muitos que já sofreram mostram que o sofrimento serve de alavanca, mas uma outra maneira de avançar como humanidade é fazer crescer o bom, não necessariamente esperar que aconteça o mal para nos transfigurarmos.
O sofrimento é parte da nossa existência, felizmente ou infelizmente. A dor tem de fazer parte do nosso olhar, temos de estar preparados para lidar com ela da melhor forma. Mas fazer crescer uma rosa não é o mesmo que limpar as ervas daninhas. Tirar as ervas daninhas não me dá um jardim, eu tenho de plantar coisas belas.
Precisamos de pensar no que queremos cultivar, os valores e práticas de vida que nos fazem sentido, que mensagem dou na fila do supermercado, ou numa fila de trânsito? Dou uma mensagem de querer estar à frente ou de amor? Até isto está a ser estudado pela psicologia positiva.
Há um tipo de meditação – a Loving-kindness Meditation – que implica convidar as pessoas a meditar nos atos de amor que fizeram ou receberam. Os estudos mostram um aumento das emoções positivas, do comportamento social, da aproximação ao outro e uma transformação pessoal. Coisas simples podem tornar-se grandes soluções se ensinarmos as crianças a introduzir práticas como esta nas suas vidas e pode estar aqui uma nova janela sobre o futuro.

AE - Destacou que ultimamente se procura o sentido da vida. A espiritualidade pode ser um caminho para a felicidade?
HM - Sem dúvida. É um dos caminhos. A espiritualidade que pode ser ou não religiosidade. Há muitas pessoas agnósticas que são profundamente espirituais. A experiência da busca de sentido, de perguntar o que quero fazer da minha vida, onde quero estar daqui a uns anos, coisas aparentemente simples mas difíceis - o que gostava de escrever numa carta antes de morrer, o que gostava de ter na minha lápide - ajuda-nos a refletir melhor sobre a existência.
Quando paramos para pensar, em vez de passivos consumidores, percebemos que de facto é pela espiritualidade, pela busca de sentido e pela compreensão que não há felicidade virados para os umbigos individuais, mas apenas voltados para o bem comum, pode ser cuidando do planeta, ou de crianças, ou fazendo algo onde me sinto a participar na construção coletiva, sentir que sou ativo na construção da sociedade e o que eu faço entra num bolo maior, onde a minha contribuição conta, isto é também uma cultura espiritual. Há livros sobre o cultivo da espiritualidade no contexto das organizações. Isto é novo e até assustador para espaços conservadores que consideravam que a espiritualidade se ligava apenas à religião.

AE - E com a esfera privada...
HM - Precisamente. E estão a entrar na ciência e no coletivo. Tenho a sorte de poder falar sobre isto em empresas onde me convidam e é fantástico porque faz muito sentido às pessoas. Toca um ponto nevrálgico, como se durante anos tivéssemos escondido recursos que envergonhavam, porque conotados com posicionamento filosófico, moral ou religioso e vai muito para além disso. Todas as pessoas, muito além do que acreditem ou não, desde que tenham um percurso de vida que pode ser transformador, já está, a meu ver, é ser profundamente espiritual e faz a diferença.

AE - O dar-se e o sentimento de pertença fomentam o caminho de felicidade?
HM - Sim e nesse sentido uma visão de felicidade só com emoções positivas é muito redutor. É importante, mas o lado hedónico da existência não chega. Daí que os atuais modelos de felicidade apontem para uma vida com compromisso, em algum projeto – seja a família, o emprego, um hobby, um projeto de voluntariado – onde se possa colocar em ação o que se faz de melhor.
Para além disso precisamos de relações positivas. Não há felicidade na solidão. Somos seres que precisam de afeto e reconhecimento do outro, do contacto físico e do olhar – coisas das quais nos temos vindo a afastar.
Precisamos de atingir metas, estabelecendo objetivos e caminhando para eles e aí, de novo, estamos a transformar-nos porque não são os objetivos materiais que estão na linha da frente. É nesta conjunção de vários elementos que a ciência diz que a felicidade é passível de ser compreendida, ser medida e hoje temos bases de dados que avaliam a felicidade das pessoas.

AE - Pedia-lhe três dicas para que os leitores possam viver melhor o dia de hoje...
HM - A primeira é reparar e escutar com atenção as notícias boas das pessoas à vossa volta. Liguem uma antena especial à procura de boas notícias e quando as ouvirem, respondam ativamente, de forma construtiva. Parem, entusiasmem-se e peçam detalhes sobre essa boa notícia. Aproveitem qualquer boa notícia, de qualquer pessoa à vossa volta e ponham fermento, façam-na crescer.
A segunda é registar diariamente, pelo menos, três bênçãos do dia. Identificar e fazer um diário positivo dos acontecimentos do dia que fizeram sentir bem. São estratégias que a ciência estuda e indica que podem aumentar a felicidade.
Para terceira sugeria um investimento na gratidão que é uma área de grande potencial e com grandes efeitos cardiovasculares. Escolham uma pessoa a quem tenham algo a agradecer, escrevam uma carta e façam uma visita de gratidão para ler a carta. É estranhamento difícil. É muito fácil olhar nos olhos e criticar mas tão difícil olhar nos olhos e dizer tudo o que temos para agradecer. Está na altura de mudar esta cultura e tornar mais fácil dizer o bom e menos o mal.
Eu acrescentava uma quarta – arranjem pedómetros, contadores de passos, e passem a fazer 10 mil passos diários se quiserem ter saúde física, pois não há felicidade sem um corpo cuidado, 13 mil passos diários se quiserem perder peso, mas assegurem-se que diariamente fazem, no mínimo acima de cinco mil passos. Muita investigação científica mostra que abaixo dos cinco mil passos, o risco cardiovascular é elevadíssimo e uma boa forma de saber se estamos em risco é através de um contador de passos.
Ter como meta cuidar da nossa saúde e mudar de uma sociedade inativa para formas de ação generosas, de relações positivas, e de comunicação são também formas de felicidade.